Sunday, March 21, 2010

O PROCESSO - KAFKA


Se fosse da panini, custaria 100 reais só pela capa dura com detalhes dourados!


O livro conta a história de josef k., um procurador de banco que é processado por algum crime aí. Ele acorda um dia com a polícia na casa dele, informando que ele tava detido. Mas não levam preso nem nada, apenas conversam um pouco; um investigador e dois guardas, além de três testemunhas que trabalhavam no banco. O papo, como acontece toda hora no livro, não leva a nada. São duas coisas que acontecem todo tempo: as pessoas da Justiça não esclarecem nada, não sabem de nada sobre o processo e K. Também não pergunta direito. No começo ele tem uma atitude extremamente displicente e orgulhosa, comparece ao fórum para o interrogatório, mas ao invés de se concentrar no caso, faz críticas genéricas à justiça. Acusa todo mundo de corrupção e inflama uma platéia que ele não sabe porque está lá. Tem várias situações surreais, a audiência é no domingo e as secretarias da Justiça ficam em prédios residenciais em bairros toscos. Uma referência comum a esse livro é pelo uso da expressão "processo kafkiano": é o processo que tem as seguintes características: é totalmente sigiloso, a pessoa não sabe do que é acusada. O rito não é definido, sendo que as autoridades podem surpreender o acusado como bem entenderem. Os funcionários que tem contato com o acusado não sabem do que se trata o processo e acabam não ajudando em nada. O advogado é supérfluo, pois não lhe é dado um papel processual oficial. Tudo que ele faz é trabalho de bastidores, tráfico de influência. Então, “não sei o que está acontecendo, e o que se seguirá provavelmente será ruim! Mal consigo respirar!”. Esse é o jeitão do livro de kafka. O personagem está preso numa teia. Parece que, quanto mais ajuda procura, mais se enrola; o advogado diz uma coisa, outros acusados dizem outra, até o cara que pinta retrato de juízes ele procura, e as soluções que ele oferece são desanimadoras e incertas. Também conversa com o chapelão do cárcere e nessa parte fica claro um aspecto: um processo injusto é o resultado combinado dos esforços da justiça e do próprio acusado. Então, as consequencias para o personagem decorrem em parte da própria atitude dele, o que não quer dizer que seja culpado. K não faz a menor ideia do que pode estar sendo acusado, nem desconfia se algo que ele tenha feito possa ser considerado crime (a primeira frase do livro o inocenta: "Alguém devia ter caluniado a Josef K., pois sem que ele tivesse feito qualquer mal foi detido certa manhã." Pra se defender, ele pensa em contar a história inteira de sua vida. Ou seja, no processo de kafka, a defesa é inviabilizada. Não só pela falta de regras processuais claras, mas pelo próprio caráter do personagem. A narrativa tem dois planos: o julgamento de K não é só jurídico, a situação toda exprime um sentimento pessoal de opressão, de estar impotente sob o jugo da tirania. Neste pano de fundo, o crime de Josef K é estar vivo, e só há uma sentença possível para quem comete este crime. Este tom é algo fundamental no livro e um traço bem característico do autor. (Atenção! Não leia o texto da foto abaixo! Tem spoiler!)

Olha aí, só 105 cruzeiros! vai perder essa? COMPRE JÁ O SEU! ... TERMINEI A PIADA, DESLIGA AÍ O CAPSLOCK, NEGRITO E FONTE GRANDE, POR FAVOR. Agora sim. A edição que eu peguei é da Abril, de 1979, tradução de Torrieri Guimarães (não sei quem é, mas tem que falar o nome porque se eu entendi o livro errado só pode ser por culpa desse tradutor ae. Eu gostaria de saber alemão, mas tenho preguiça, porque parece muito difícil, acho que desistiria, além dos cursos serem caros. E você? O que pensa sobre isso?).


Cuidado com essa edição!!! Logo no começo do livro, no resumo da vida do autor, TEM SPOILER! Está avisado. Se, por algum motivo, você voltar para 1979, não compre esta edição. Subtraí da estante do meu pai em 2003, deixei escondido no meu armário e demorei para ler, pois tenho estado ocupado com outros assuntos importantes como zerar Mass Effect 1 e 2 três vezes cada. Confesso ainda que esqueci que tinha o livro. Achei por acaso no meio de mangás pornôs e tive de passar um pano úmido para tirar a terra da capa. Colocaria a foto do pano, mas infelizmente já lavei, e não faria mais sentido.


Essa aí é a primeira página. Veja que o narrador já começa falando que o processo deve ter começado por calúnia. Como vocês podem ler, O DESJEJUM de K (como em "O DESJEJUM DO CHAVES") estava atrasado, o que era estranho, então ele resolveu esperar um "POUCOCHINHO". Porra Torrieri! Poucochinho? Será que não tinha palavra melhor? Poucoshinhu! Eu jamais escreveria ou usaria essa palavra numa conversa. E vocês, meus amigos, o que acham sobre essa questão?



ATENÇÃO! NÃO LEIA O TEXTO DA FOTO! TEM SPOILER! Estou pondo esta só para que vocês apreciem a cara de paisagem do Kafka.


PORRA KAFKA! Não terminou de escrever o capítulo! O advogado malandrão estava tentando convencer K de que sua ajuda era fundamental. O modo de fazer isso era humilhando um outro cliente, um comerciante que achava um advogado um inútil, mas tinha medo de dispensar. Na sequência, saberíamos como K mandou o papo reto e dispensou o advogado, mas... "este capítulo não foi concluído". Se eu fosse o editor, certamente acrescentaria um :( ao fim da nota de rodapé.

Resumo do post: Leia Kafka. É excelente.

Estou pensando em complementar o post com uma leitura dramática de algum trecho do livro. Vou ver se descubro como faz, e talvez aconteça. Porque não devo falar que vou fazer e depois não fazer nada, quando fala que vai fazer alguma coisa tem que fazer mesmo. Enriqueceria muito o post e nada mais seria como antes.

Um abraço!


2 comments:

ExistenteWill said...

Porra...gostou mesmo do bigode, hein?Escreveu pra cacete...li 40%, mas juro que vou ler tudo...muito bom!

Sandro Livio Segnini said...

Gosto mesmo do bigode. Muito obrigado por ter estar lendo. O próximo post, acredito, será sobre o lolita. As quinze linhas devem ficar prontas dentro de três meses.