Wednesday, May 12, 2010

Assim Falava Zaratustra - Nietzsche





Você já ouviu falar de Nietzsche, provavelmente de pessoas que nem leram, e você também nem deve ter lido. Talvez você tenha lido e colocado o nome dele no google pra ver o que os miguxos estão dizendo sobre o seu filósofo favorito. Aí você hesitou na hora de escrever o nome, porque não se lembrava direito se tinha z ou s e qual a ordem. Então você pegou o livro e deu uma olhada na capa pra ter certeza, esqueceu e teve de olhar de novo, e até agora você não decorou. E neste caso não dá pra fazer igual na escola que era só inventar um apelido, pois o interessante é mencionar o nome do filósofo (na esperança de que pensem bem de você, ou respeitem sua opinião). Não dá pra simplesmente chamar de bigode, embora fosse muito adequado. Você certamente não seria levado a sério se baseasse um argumento nas ideias do bigode. Alguém vai acabar comentando "achei que o bigode tinha sido preso" e você vai dizer "não, ele já morreu, e creio não estarmos falando da mesma pessoa rsrsrsrs, seu ignorante fdp." Gostou desta introdução? Em que pontos acha que podemos melhorá-la?


Nietzsche numa das três fotos de sempre.


Vou comentar algumas coisas que eu achei interessante. É uma obra em que o simbolismo é muito forte. Começa com o Zaratustra, que é um sábio, descendo da montanha para compartilhar sua sabedoria com os homens. Gosto de pensar nele como um homem de meia idade e de barba grisalha, magro, mas sem ser desnutrido, um desses caras que parecem fracos, mas resistem a tudo. E, claro, vestido com trapos porque tem muito mais graça, é o cara pra quem ninguém liga, que parece um mendigo, mas PLOT TWIST revela-se como grande sábio, um verdadeiro profeta. Porque você sabe, materialismo é ruim e a sabedoria está sempre ao lado da humildade. Tô zoando, na verdade esse livro fala que humildade é coisa de babaca.

Então, o Zaratustra está isolado e descontente com isto. Diz que até o sol precisa de alguém a ser iluminado, então desce (simbólico, sai da frescor da reflexão pra ter com os ignorantes). O livro todo é o Zaratustra vivendo situações simbólicas que expressam bem a filosofia de Nietzsche.

Os animais do Zaratustra são a águia e a serpente. A águia representa a altivez, ser como a águia é voar alto. Significa, principalmente, não ser humilde e orgulhar-se da própria superioridade. A águia fica nas alturas, é sozinha e simboliza o livre pensamento. Outro símbolo frequente é o da árvore solitária no alto da montanha que recebe rajadas violentas de vento frio e refrescante (mais um símbolo para ideias fortes e libertadoras, que devem ser compreendidas como a própria filosofia nietzscheana). É assim que Zaratustra diz que as pessoas devem ser. Mas note o seguinte meu amigo, depois de três posts já entendo poder chamá-lo de amigo; a águia sobrevoa o abismo, mas sempre olha pra baixo. Não cai, mas jamais perde de vista o que está lá, que é a terra, nem mais nem menos. A terra. A árvore solitária, embora vislumbre o céu, também estende suas raízes e segura a terra. A terra representa o conjunto de coisas do ser humano mal rotuladas como repulsivas. O paradoxo está presente o tempo todo na obra de Nietzsche. Para ele, as coisas ruins não passam das coisas mais bem denegridas, então, o tempo todo enaltece os "maus" e denigre os "bons", pois não concorda com a valoração do tempo dele e propõem a transmutação de tudo. Ou seja, foi um Troll. Alegava que os valores estão todos invertidos e que tudo isto se dá, em grande parte , à mentalidade cristã da subserviência. O que é considerado bom e virtuoso é a negação de tudo que é humano, altivo. Peraí, não o que é humano, mas o que deve ser, o que precisa ser segundo ele mesmo, pois é uma filosofia ética. Nietzsche não é um niilista, na verdade, acusa os cristãos de serem por preferirem a vida após a morte, que pra ele seria o nada. Chama-os caluniadores do mundo.

E o que o homem tem que ser para Nietzsche, cujo primeiro nome, aliás, era Friedrich (Ricofrito) é uma ponte para o super homem. Ao contrário do que dizem muitas pessoas que leram resumos, o bigode não se anunciava como um super homem, nem mesmo o Zaratustra se dizia um deles. Ambos acreditavam sim ser homens superiores, serem parte da elite da humanidade, intelectualmente e moralmente (no zaratustra não há uma palavra sobre etnia). Zaratustra é uma ponte para o super homem, coisa que todo homem deveria ser, mas a maioria busca não ser, portando-se como bermudões. O super homem é um ideal; mas um ideal dionisíaco que aponta para a carne, para a terra, o canto, a dança, a criação, a solidão altiva e o orgulho individual e viril. Perceba como a águia tem que pousar na beira do precipício. Notou? Agora pegue a cobra _I_

É o outro animal do zaratustra. A serpente rasteja na terra, é o símbolo da astúcia e da discrição.

Também menciona outro negócio legal, sobre as transformações do espírito. Que fique claro que não é tipo espiritismo, ele fala claramente que a alma é um nome para coisas do corpo. Primeiro o espírito é camelo, porque vaga pelo deserto carregando peso nas costas. Não tem muito mais coisa que um camelo pode fazer não é? Nesta fase reina o tu deves. Depois, deve se transformar em leão, sendo corajoso e feroz, fase em que reina o tu queres e por fim vira criança, cheio de ingenuidade criadora. Sejam criadores filhos da puta! É algo que ele diz toda hora, tirando a parte do filho da puta.

O conceito de vontade de potência é fundamental para entender a obra. Numas partes, que pra mim parecem antecipar um pouco do Freud interpreto que foi formulado o seguinte: a satisfação de ser homem vem do exercício da vontade de potência, que é mover as coisas no sentido da vontade. A vontade de potência seria inata, um impulso natural, que pode ou não ser reprimido (a mentalidade judaico-cristã atuaria no tolhimento). Pedras grandes demais não podem ser movidas, o que gera insatisfação. Uma pedra que não pode ser movida é o passado. Não dá pra mudar. O problema então não seria a falta de força para remover a pedra, mas sim a sua vontade de fazê-lo: basta não querer mudar o passado. Mais que isso, basta querer o passado e desejar que ele se repita para sempre. Isto é aceitar aquilo no qual você se tornou (ou torna a todo instante, considerando Heráclito) e amar a si próprio antes de todas as coisas, celebrar a própria história pessoal. Essa ideia é projetada também para o presente; imagine que a sua vida presente repita-se para sempre... se este pensamento traz alegria ao espírito, significa que você vive bem. Esta é a filosofia do eterno retorno anunciada por zaratustra. Tem um forte efeito psicológico. Amor fati, amar o próprio destino. Se não o quer, mude-o, se não pode mudá-lo aprenda amá-lo.

Como amar o próprio destino? Amando-se a si mesmo e pra isso é necessário saber quem você é. Conhecer a si mesmo é fundamental. Encontrar a si mesmo, é a expressão que ele usa. Chega uma hora em que Zaratustra manda os discípulos pentear macaco, porque não queria repetidores, não queria seguidores. Queria que cada um deles fosse buscar a si próprio, ter pensamentos e ideias genuínas. Para isso precisa percorrer um caminho sofrido e tortuoso na solidão. O que Nietzsche diz é o seguinte: o ensinamento mais válido é o encontra-te a ti mesmo e faça a própria filosofia. Zaratustra não é um sacerdote, não é pastor, nem mesmo profeta. O super homem enunciado não é uma realidade, não é um tipo de homem que realmente vá aparecer (tá legal, isto não é claro, muitos podem interpretar que ele esperava que o super homem surgisse mesmo em algum futuro ae). É um ideal para o qual o homem deve ser a eterna ponte, sempre em ascensão, sempre melhorando no sentido do genuinamente humano, que é o de se afastar da moral do servilismo, da impotência, da igualdade e da humildade. Zaratustra só aceita ser chamado de poeta e admite que poetas são mentirosos. Por conta do estilo, é muitas vezes vago e dúbio, mas não quer, de todo modo, enunciar verdades firmes e precisas. Prefere o caos. É um dançarino alegre, uma estrela cintilante. Certamente, estes epítetos não pareciam gays no séc. XIX.

Não há uma defesa ativa do ateísmo, ele apenas sustenta uma filosofia incompatível com as religiões, em especial o cristianismo. Neste livro tem a frase "Deus está morto". Logo em seguida, acrescenta que, no lugar Dele, coloca-se o Super Homem. Para Nietzsche, Deus não é um bom ideal a ser seguido, não traz uma boa moral para as pessoas, no lugar dele deve ficar o Além Homem sem idolatria, mas como aspiração de crescimento pessoal. Esta é a grande diferença com relação à ética cristã: nesta as pessoas não querem se tornar deuses, seria um pecado, uma blasfêmia. Já o super homem é algo para o qual as pessoas deveriam ser a ponte, um modelo de conduta a ser almejado.

A vontade de potência pode dar a ideia de uma moral auto-permissiva criticável. Claro, pois pra que abaixar a cabeça para quem quer que seja? Para que respeitar os outros, para que colocar qualquer coisa acima dos próprios caprichos e desejos? Ou seja, o que Nietzsche tem a dizer sobre nossa responsabilidade para com os outros seres humanos? Que, tirando o amor da mãe, não há nenhuma. Para Zaratustra, o sentimento mais abominável que existe é o da compaixão, ele prefere ser odiado a ser alvo de piedade. Pois é o reconhecimento da fraqueza e da inferioridade.

Então este sistema pode servir como racionalização para um sociopata praticar seus atos? Sim, e já deve ter se prestado a isto. Só que mal compreendido, pois devemos lembrar que a superioridade para Nietzsche está na erudição, na educação, na iluminação e na argúcia do raciocínio. Ou seja, não é qualquer vontade que mereça ser imposta. "Ando entre fragmentos de homens", nesta parte Zaratustra diz, vejam, aquele homem não passa de uma orelha grande, aquele não passa de um par de olhos, aquele é tão só um nariz e aquele outro é o peixoto (um queixo que anda). Uma pessoa espiritualmente mutilada não pode querer nada que preste mesmo, a realização de sua vontade de potência é uma desgraça, é o domínio dos inferiores, a opressão dos superiores. Não era pois uma questão de prevalência da vontade do mais forte, pois o próprio Nietzsche se dizia vencido pela escuridão da época. Escrevia para leitores futuros.

Mas e a moral? O que diria Nietzsche sobre o imperativo "não faça aos outros o que não quer que seja feito a você?". Nem sei o que ele diria. Suponho que o comentário coerente seria "não cabe um imperativo universal porque pessoas não são iguais, alguns merecem se foder, outros merecem respeito, admiração, proteção e privilégios.". Parece absurdo né. Neste ponto lembro a crítica de Bertrand Russell no História da Filosofia Ocidental: não dá para separar a filosofia ética da filosofia política de Nietzsche. Defende sempre o elitismo, a manutenção de um grupo de privilegiados superiores, não necessariamente da classe política (esta composta por caras estilo Napoleão, que ele venerava. Hitler talvez?), acima do povão, a massa de supérfluos. Supérfluos é o termo que usa Zaratustra. Expendables, que nem no filme do Stallone. Gente que pode ser mandada para a morte mas que, diferente do Stallone, não vai estar adorando.

Ele chama os pregadores da igualdade de tarântulas: seriam pessoas inferiores que, por inveja dos superiores, como ele mesmo, defendem a igualdade de direitos. São aranhas repulsivas e seu veneno é o símbolo do rancor contra todos que são superiores. Rsrsrsrs, Nietzsche era bem cuzaum hein.

Ah, e o tradutor dessa edição foi bem traíra. É Mário Ferreira dos Santos. O cara era filósofo também e traduziu direto do alemão. Esse é o problema. Não, não a tradução ser direta, isso é bom, mas o cara também ser filósofo. Quem disse que, traduzindo um filósofo estrelinha, que muita gente procura, o camarada ia conseguir manter a própria filosofia dentro das calças? Há várias notas de rodapé em que o sujeito faz propaganda dos próprios livros, além de interpretar passagens de um jeito muito tendencioso. Mas o cúmulo são as partes em que pede desculpas por Nietzsche, por exemplo, quando este faz comentários pouco gentis sobre teologia. O que o nosso tradutor diz é que "infelizmente, Nietzsche tinha uma visão equivocada sobre o assunto pois nunca leu as brilhantes obras da escolástica. Se tivesse lido, certamente sua opinião seria diferente." Ora, como se pode saber de uma coisa dessas? Quando lança comentários desairosos contra o cristianismo, o tradutor trata de acudir numa nota que Nietzsche era fãzaço de Jesus, amava muito o cara e queria ser igual a ele e que a birra, na verdade, era só contra Paulo e outros que teriam deturpado a doutrina. Só que o livro que Nietzsche escreveu chama Anticristo e não Anticristão e, pelo que me lembro, nessa obra, os comentários sobre Jesuis não são muito amáveis: seria uma pessoa de hipersensibilidade que não aguentava o confronto e por isso dava a outra face (veio à mente o combo do battletoads, socos martelo e chute com a bota gigante). Noutra parte, diz que Deus aparece na obra do bigode de um jeito fora do usual, no plano cósmico, fingindo que a parte que diz "Deus está morto" não existe. No trecho das tarântulas, esclarece numa nota que as aranhas eram os tiranos, opressores e soldados dos campos de concentração. Que nada! Eram os defensores da igualdade de direitos, como está claro no texto. Desde quando um tradutor tem que ficar dando explicações apologéticas sobre o que o autor escreve? Sei, esta é uma edição comentada, ainda assim, espera-se que os comentários sejam pertinentes à obra, não baseados em suposições sobre a vida do autor, nem contrárias ao teor expresso do livro. Talvez, o real teor dessas notas seja "Não leve a mal senhor censor", já que a tradução foi publicada primeiro em 1957. O mesmo acontece na parte em que Zaratustra fala sobre as mulheres.

Aliás, todos que querem desmerecer a obra do bigode enfatizam essa parte do livro. Porque ele fala das mulheres daquele jeito. O profeta conversa com uma véia e diz algo assim "Vai tratar com mulheres? Não esqueça de levar o chicote" RÉÉÉÉÉDEA! O nosso amigo tradutor e filósofo mais uma vez pede desculpas pelos disparates do autor, meio sem graça numa nota de rodapé, "perdoe-me leitor, é que Nietzsche leu muito Schopenhauer e esse cara era muito grosso com as mulheres, tinha uma opinião totalmente equivocada." Que explicação hein?

Veja o que Schopenhauer achava das mulheres:

Arte



Bertrand Russell, querendo maldizer (ele admite que não gosta e que o bigode tem mais que se ferrar) menciona essa parte no livro dele já citado. Esse livro era pra ser sobre A HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL, mas ele vai lá e ignora um monte de aspectos relevantes da obra do bigode e se dedica a esta questão das mulheres que são, tipo, duas páginas na obra dele. Esse Candinha galês do Genuíno YO-YO Russell diz que "ora, Nietzsche bem sabia que nove entre dez mulheres tomariam o chicote das mãos dele, por isso ficava longe delas com a vaidade ferida e fazia comentários pouco amáveis". Amigo, fiquei pasmo quando li isso, parece, sei lá, pessoal.

Parece serião, mas falta seriedade :S

Zuera, a mulher tomou o chicote!!!1

Sabe-se que Nietzsche tinha problemas de saúde, sofria de fortes dores de cabeça, passava longos períodos debilitado, não casou, nem se sabe se teve algum relacionamento (há rumores de que tenha comido a irmã, inclusive com um texto apócrifo contando isso) terminou louco e morreu cedo. Então, muitos críticos tentam atacar a obra por este viés. Alguns afirmam que toda essa história de orgulho, altivez, super homem e vontade de potência eram os delírios de grandeza de um impotente. Tremenda cretinice hein meus amigos, não se põe um morto no divã. Não são pertinentes essas análises psicológicas com base em pesquisas biográficas. Mesmo com um ser vivo na análise é difícil chegar a tantas respostas. A crítica costuma fazer o mesmo com Schopenhauer, citando episódios como o fato de ter empurrado uma véia da escada e ter sido obrigado a pagar pensão pro resto da vida. Dela, pois encontraram uma anotação do Schopenhauer "HASHUASHUASHUA, A VEIA MORREU, TCHAU FARDO".

Arthur Schopenhauer

É fácil entender. Você não vê esse tipo de difamação contra Kant, Hegel, Platão e etc. É que Schopenhauer e Nietzsche são filósofos diferentes: eles irritam, incomodam. Schopenhauer é sarcástico, agressivo e pancadão, Nietzsche filosofava com o martelo CRASH!!1 era pouco amável com Deus, Jesus e seus amigos. Muita gente não gosta. Acha-se inaceitável que uma pessoa possa ser feliz e orgulhosa vivendo e pregando a misatropia solitária: certamente ela é deste modo por estar constrangida por problemas emocionais, sendo sua filosofia uma racionalização para disfarçar limitações e inapetências, pois o "natural" seria ter uma vida socialmente prolífica e, se possível, adorando Deus. O sistema diferente tem que ser patologia psiquiátrica e psicológica. Está certo isso? Ao meu ver, não. Injustificável a tentativa de juntar vida pessoal do autor com sua obra filosófica.

Lembrei-me agora da reflexão de Milan Kundera no começo de A insustentável leveza do ser, baseada no eterno retorno de Nietzsche. Diz que a ideia é contrária à efemeridade de tudo, por exemplo, acontece alguma coisa e você reage. Depois fica pensando, puta que pariu viu eu devia ter feito outra coisa. Você fica pesado. Mas já era, já passou. Muitas coisas são inéditas e para elas não estamos preparados, não temos a chance de fazer reparos. Se a situação retornasse eternamente poderíamos encará-las com mais propriedade. É o que acontece no metal slug 3. Se eu fosse jogar só uma vez logo morreria. Mas aqui existe o eterno retorno, então insert coin, start, soldier select, mission 1, start! eu posso reviver a mesma coisa infinitas vezes até conseguir jogar de um modo satisfatório. O mesmo vale para o battletoads no nes, jamais teria passado fase do carrinho, de desviar das paredes, se não tivesse revivido aquilo muitas vezes. Quando tudo parece adequado na vida, a repetição das experiências positivas (que poderiam ser infinitas que trariam felicidade) tornam tudo mais leve.

Experimentamos o eterno retorno quando estamos tristes. No sofrimento, não costuma fazer diferença saber que ele vai passar, ficamos embotados, e o sentimos como se fosse permanente. Poderíamos fazer isso também com as alegrias, mas é bem mais difícil.

Claro que eu destaquei só as partes que eu pensei ter entendido (já li 3 vezes e pretendo futuramente entender). Eu prefiro me ater mais às partes de crescimento pessoal e reversão dos valores morais. Quanto à polêmica de Nietzsche e o nazismo, bom, a filosofia política de Nietzsche serve para validar qualquer oligarquia antidemocrática, além de ser contra o reconhecimento de direitos universais e a favor de justos privilégios para os "melhores". O problema prático é a definição dos melhores, pois inevitavelmente acabam privilegiados os bem nascidos, ou membros de uma determinada etnia, ou pessoas bem relacionadas e não os sábios, eruditos, altivos e valorosos da elite de Nietzsche. Mas discordo de Russell quando diz que não dá pra separar a filosofia ética da política; acho que a filosofia ética de nietzsche falha ao ser transformada em política mas pode sim ser abordada de modo isolado. Quer dizer, não dá pra aplicar às massas, separar todos em superiores e inferiores, qualquer critério será impreciso e injusto. Mas na esfera individual, tudo que Nietzsche disse é válido, os critérios de triunfo da vontade são absolutamente aplicáveis no tribunal da consciência, na disciplina das próprias ações e na descoberta de si mesmo. Além disso, ninguém até hoje abordou tais temas com a mesma contundência, brilhantismo e qualidade literária. Mas não sou um estudioso de Nietzsche, então talvez eu tenha tirado isso tudo da minha cabeça. Um abração a todos.

Altivez


9 comments:

Mephisto said...

Muito boa analise do livro... Como foram boas analises de todos que estão no blog.

Espero que você continue falando destes que, como Kafka e Nietsche são meus autores preferidos.

Sandro Livio Segnini said...

Muito obrigado pelo comentário. É muito bom saber que tem alguém lendo e achando bom!

grimblecrumble said...

cara vc escreve muito bem, gostei da forma como deixa claro seus pontos de vista e tb deixa claro que são apenas pontos de vista pessoais e tal... maneiro!

Anonymous said...

Ainda esta ativo?

Sandro Livio Segnini said...

Desanimei com o blog.
Até gostaria de escrever, mas estou sem assunto.

Thiago said...

Puta que pariu cara!!! Sou fã do Nietzsche, já li vários livros e se puder peneirar tudo diria que o que ele mais fez para mim foi me dar alegria e liberdade de ser. Eu amo esse cara. O SEU TEXTO TRADUZ EXATAMENTE O QUE SINTO QUANTO A ESSE FDP BIGODUDO. Excelente análise, leve e ao meu ver bastante coerente.

Sandro Livio Segnini said...

Obrigado por ter lido, Tiago. Fico feliz que tenha gostado. Até diria "volte sempre", mas você não encontraria texto novo, então... valeu, de qualquer jeito.

Anonymous said...

Man, muito boa e didática a forma que expôs sua interpretação do livro. Deveria fazer mais posts assim, para ajudar mais interessados que pretendem começar uma literatura de Nietzsche.
Abrazzz

Marcelo FNC said...

Boa